Algumas vezes somos preteridos na nossa pretensão a determinada vaga e logo começamos a colocar defeito no processo seletivo.
Responsabilizamos a empresa, os selecionadores, o gerente e até que ‘acusamos’ que houve uma indicação direta, como se isso fosse um problema.
A indicação continua sendo uma grande ferramenta utilizada no mundo empresarial (leia É preciso ter QI) para escolha de profissionais para determinadas missões, desafios, projetos, posições e funções.
A indicação é utilizada por que é eficiente
E o mais curioso é que ela é bastante eficiente. Pois quem indica tem a responsabilidade com o indicado.
Em uma recente pesquisa, os cientistas pediram que uma grande empresa indicasse 120 gestores. Um terço que tivesse sido selecionado por alguma ferramenta de people analytics; outro terço por indicação; e o último por algum processo seletivo tradicional.
Junto com a relação dos profissionais seguiram suas avaliações de desempenho; a pesquisas de clima organizacional e a pesquisa de satisfação dos últimos dois anos.
Os pesquisadores desconheciam o método da escolha dos gestores e tentaram descobrir através de entrevista, pelas suas performances e impressão das equipes dirigidas por eles.
Resultado: o percentual de gestores com baixo desempenho e equipe desmotivada foi equivalente nos três grupos.
Como ser indicado
Então, a pergunta a se fazer é: por que fulano foi indicado e eu não?
A melhor resposta para essa pergunta é que ele fez o dever de casa. O famoso networking.
Ou seja, Para que alguém seja indicado é preciso que seja conhecido por aqueles que tenham alguma influência. Assim, o networking continua sendo um instrumento importante para a carreira.
Networking?
Primeiro vamos diferenciar network de networking.
A expressão em inglês network é utilizada para descrever uma rede de pessoas conectadas por interesses profissionais. É um substantivo. Sua rede de contatos.
Já networking é a ação ou processo de interagir com outras pessoas para trocar informações e desenvolver contatos profissionais ou sociais.
Faça networking para melhorar a sua network. No início a quantidade é importante, pois você não sabe quando e que tipo de ajuda precisará demandar da sua Rede.
As vantagens de uma boa network
Em todos os livros sobre gestão de carreira encontramos que o networking é uma ferramenta básica, fundamental e poderosa para quem quer gerir a sua carreira.
Muitas são as vantagens de se ter uma boa e diversificada network, entre elas estão (na ordem de importância):
- Ficar bem-informado sobre as mudanças na sua área, sua empresa e no mercado;
- Ter acesso a oportunidades de maneira rápida e abundante;
- Poder ser indicado para cargos e funções, quando o processo assim permitir.
E quem tem informações privilegiadas e acesso a oportunidades tem um diferencial competitivo invejável e imbatível.
A Right Management fez uma pesquisa recente que apontou que 70% das contratações acontecem por indicações de outros profissionais.
E isso acontece, também, nos intramuros de uma organização. Quando eu trabalhava no Banco do Brasil, incontáveis vezes fui procurado por meus pares pedindo a indicação para determinada vaga e outras vezes fiz o mesmo.
Comece a construir sua rede
Você deve começar a construir sua network até mesmo antes de entrar no mercado de trabalho e nunca mais deixar de tecê-la. Mas, não se preocupe, se você não começou ainda desenvolvê-la, pode fazê-lo a partir de hoje.
Os piores momentos para se começar a construir sua Rede de Relacionamentos Profissionais é quando se perde a função ou se é demitido. Isto é, quando mais se precisa dela. Mandar currículo, querer participar de happy hour que nunca foi antes e sair adicionando todo mundo no LinkedIn, não vai funcionar.
Sua network já tem que estar pronta quando você precisar dela. Não dá para contratar um seguro de veículo depois do carro batido. Não espere precisar dessa Rede para começar a construir.
E como se constrói uma network
No dia a dia. Todo profissional que você conhece deve compor sua Rede. Todos? Todos! Não interessa se você os conheceu num evento da empresa, numa palestra, nas interações com os clientes, na fila do pão, na academia ou no grupo de ciclistas de fim de semana.
Adicione-os na sua rede social. Troque cartões, celular, mensagens. Cada interação é uma oportunidade para ampliar sua Rede.
Não force nenhuma barra, sempre que possível alimente aquela relação. Não faça como um profissional que conheci que descobria qual a barraca da praia que o seu chefe iria naquele final de semana e aparecia lá, ‘casualmente’.
E por falar em Rede Social, você tem um perfil no LinkedIn? Tem a prática de ‘seguir’ e interagir com seus contatos profissionais? Se a resposta for NÃO, está na hora de mudar esse comportamento.
O LinkedIn é sensacional para consolidar sua Network. Só perde para o mundo real. Lá você pode interagir, parabenizar, discutir, apoiar, opinar, aparecer…
Uma última coisa: a network é uma via de mão dupla. Essa ferramenta pode te ajudar muito, mas ela só é completa se você também ajudar as pessoas.
Faça indicações honestas, encaminhe currículo para o setor de RH, compartilhe informações. Seja para as pessoas que estão precisando o que você espera receber quando precisar.