ComunicaçãoDesenvolvimento Pessoal

Falar para ser compreendido e escutar para compreender

Duas mulheres conversando de forma atenta

Um americano vai casar-se com uma espanhola. As famílias se encontram e em determinado momento as sogras estão sozinhas e começam a conversar animada e alegremente.

O problema é que uma só fala inglês e a outra espanhol. Uma fala sobre um assunto e a outra sobre algo totalmente diferente. Ambas riem.

Não lembro o nome do filme, entretanto essa cena me lembra a nossa comunicação geral. Eu falo um; você entende dois; responde três; e eu entendo quatro.

A diferença é que no filme parecia que elas se entendiam, pois riam muitos. Já no nosso dia a dia não importa se falamos o mesmo idioma, a realidade é que o nosso código está contaminado com os nossos sentimentos e necessidades, conforme abordamos em outros artigos (leia em Aprimorando relacionamentos pessoais e profissionais e Aplicando os componentes da Comunicação Não Violenta na sua vida).

Quem assiste a discussão de um casal tem a sensação de que ambos fazem de propósito. Ela diz gosto de azul; ele responde a floresta é úmida. Como assim?

Accountability

Accountability pode ser traduzida como prestação de contas. No mundo corporativo esse termo ganhou novos contornos, assumido significados como controle, fiscalização, responsabilização, compromisso, proatividade e transparência.

Para efeito desse artigo utilizaremos o conceito de João Cordeiro[1]que diferencia a Accountability empresarial da pessoal e afirma:

A Accountability pessoal é uma virtude relacionada à habilidade de pegar a responsabilidade para si e gerar respostas com resultados positivos.

A Accountability e a Comunicação

Trazendo esse conceito para a nossa discussão, podemos afirmar que teremos mais sucesso no processo de comunicação quanto mais trouxermos para nós a responsabilidade de verdadeiramente nos comunicarmos.

Ou seja, o sucesso da comunicação depende do quanto os interlocutores se comprometem a se esforçar no sentido de deixar claro o que disser e de ouvir com a atenção necessária o outro.

O problema desse compromisso, como todos da sua vida, é que você só pode falar por você. Não há nenhuma garantia que o outro também o fará.

A prática informa que quanto mais nos esforçarmos nesse sentido mais pessoas trazemos conosco, pois a diferença de comportamento e de resultado são visíveis.

Comportamento comum para os dois desafios

Sempre que uma conversa difícil e necessária estiver começando, lembre-se que o processo é cognitivo e não emocional. Se o seu controle emocional estiver de alguma forma abalado, peça para o outro um adiamento.

Diga-lhe que você não está bem é que você tem certeza de que em outro momento a conversa será mais proveitosa para ambos.

O relacionamento já começa ganhando, seja ele qual for.

Garantindo clareza na mensagem

Algumas dicas para que sua mensagem seja clara:

  • Mantenha sempre contato visual;
  • Evite adjetivos negativos
    • grosseiro/a, nervoso/a, chato/a, incompreensível, louco/a, imprestável, ditador/a, idiota etc.
  •  Evite acusações
    • você não me ouve; seu trabalho é mais importante do que eu etc.
  • Fale de fatos e de como você se sente
    • quando você chega tarde (fato) eu sinto que você dar mais importância ao seu trabalho (sentimento).
  • Quando perceber que algo que você disse não foi compreendido, afirme que você não foi claro e repita o que disse de outra forma, quantas vezes for necessário.

Ouvir o outro com atenção plena

A segunda parte do compromisso, ser responsável pela compreensão do que se ouve, pode ser conseguido através da Escuta Ativa.

Escuta ativa visa também perceber o que de melhor as pessoas têm: as suas ideias, as suas emoções, os seus valores, a maneira distinta como interpretam a vida.

Você vai notar as mudanças instantâneas, pois escutar o outro é também estimulá-lo a levar você em consideração, prestando atenção naquilo que tem para dizer.

Dicas de como fazer uma escuta ativas:

  • Procure ouvir com intensidade, concentrando-se na mensagem de quem fala.
  • Ouça com empatia, entendendo a emoção, sentimentos e profundidade que o outro emprega. É importante não atribuir ao que o outro diz suas próprias crenças. É preciso tentar entender os sentimentos e a emoção do outro no contexto da sua mensagem.
  • Aceite o que está ouvindo, o que não significa concordar. Ouça objetivamente e sem julgamento. Ao discordar do que é dito, não comece imediatamente a imaginar formas de rebater, o que fará com que perca a mensagem.
  • Responsabilize-se por compreender a mensagem na integra:
  • Faça perguntas visando esclarecer algum ponto que você não entendeu;
  • Demonstre que você entendeu repetindo o que a pessoa disse, de forma resumida e concluindo com algo do tipo: entendi corretamente? Foi isso que você disse? Se a pessoa discordar, peça para ela esclarecer.
  • observe o contexto emocional, pois ele é parte da mensagem.

Elementos fundamentais para o bom ouvinte

  • Estar atento às informações verbais e não verbais;
  • Garantir a compreensão total do que foi dito fazendo perguntas;
  • Oferecer a quem fala uma resposta apropriada, seja ela verbal ou não.

Por fim, assumir a responsabilidade por uma comunicação eficaz é uma decisão difícil, pois pressupõe:

  • Desistir de vencer uma discussão;
  • Ter o desejo genuíno de ouvir o outro;
  • Ter interesse real pelo que está ouvindo;
  • Ter autodisciplina e concentração;
  • Evitar devaneios

Os ganhos, entretanto, são imensuráveis:

  • As duas partes ganham;
  • Você, por consequência, começará a também ser ouvido;
  • As pessoas passarão a ter interesse pelo que você fala;
  • Seus relacionamentos se fortalecerão; e
  • Você será mais feliz.

[1] Accoustability, A evolução da responsabilidade pessoal – João Cordeiro, Editora Évora

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